13/01/2014 - 15:43

Políticas educativas e lusofonia / Do preconceito ao pre-conceito

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Do preconceito ao pre-conceito: a imobilidade social como razão de atraso económico

A propósito das recentes declarações do Sr. Ministro da Educação e da Ciência  sobre a qualidade ou garantias oferecidas pela formação ministrada nas Escolas Superiores de Educação, muitas foram as vozes que se ergueram denunciando o inaceitável preconceito do Sr. Ministro como demonstração cabal da sua incapacidade de, de uma forma rigorosa e eficiente, vir a coordenar a reforma do ensino superior em Portugal, nomeadamente no que concerne à propalada necessidade de reestruturação da nossa rede de ensino superior, em particular a rede de ensino superior Politécnico.

O argumento parece claro e sólido: como pode um responsável governamental emitir uma opinião aparentemente não fundamentada sobre um aspecto essencial de organização da sua política e esperar que dessa opinião não sejam retiradas ilações sobre a sua actuação futura em termos governativos? Pode, porque segundo muitos, nomeadamente os directores de escolas politécnicas que não hesitaram em vir a público denunciar a situação, essa opinião não será nem tem de ser fundamentada em informação rigorosa ou conhecimento anterior, ela sustenta-se em exclusivo no preconceito.

O que é grave em toda esta situação não é o facto de um ministro, intencionalmente ou não, não hesitar em manifestar em público as suas opiniões, tal até seria louvável numa sociedade democrática onde todos temos direito à nossa opinião e a podermos veiculá-la como bem quisermos. O que é grave, é que ela denota um dos males mais constantes da sociedade Portuguesa, a tendência para enquadrar a realidade em função de pre-conceitos sobre a mesma, aquilo que Kant denominava como conhecimento apriorístico e que por ser dessa natureza não tem obviamente de ser comprovado, seja em função de experiências ou conhecimento efectivo.

Esta tendência para o preconceito orienta muitos dos nossos concidadãos que sobre tudo têm algo a dizer e que muitas vezes o fazem movidos pelos tais pre-conceitos. Daqui resulta um complexo processo de imobilidade social que nos torna avessos ao risco e pouco dados a novo conhecimento porque sobre tudo já algo sabemos ou temos muito a dizer.

Se Portugal quer ultrapassar a sua situação actual a primeira medida que temos de tomar é de carácter individual. É muito simples, sobre tudo aquilo que nos rodeia devemos abandonar o preconceito e não emitir opinião não fundamentada ou simplesmente preconceituosa. Basta percorrer meia-dúzia de fóruns ou comentários a notícias na internet para nos apercebermos do impacto que esta medida poderia ter na sociedade Portuguesa. Haja em 2014 a coragem de abandonarmos os nossos preconceitos!.

 

Manuel José Damásio
Escola de Comunicação, Artes e Tecnologias da Informação
Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias.

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Lido 922 vezes Modificado a 31/01/2014 - 11:13

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