22/05/2015 - 13:32

Políticas educativas e lusofonia / As presidenciais

João de Almeida Santos


As presidenciais

Concordo que, agora, é tempo de legislativas, de discutir pessoas, ideias, projectos e programas para o Governo. As presidenciais terão o seu tempo. Só que elas também já estão aí, com uma campanha a insinuar subtilmente que Sampaio da Nóvoa (SdN) será o candidato do PS. E, de facto, alguns militantes socialistas têm aderido à candidatura na convicção de que “les jeux sont faits”.

Mas a verdade é que o PS não declarou apoio a ninguém. SdN é simplesmente um entre outros. E confesso que não me revejo no pouco que ele politicamente já declarou. Na gasta retórica de Abril, no sublinhar manhoso de uma certa distanciação em relação à classe política, na narrativa acerca do dinheiro, na ideia de regeneração e até nalgumas medidas programáticas que saem da esfera da PR. Nóvoa olha muito para o passado e para a retórica poética. O que não seria mal se diagnosticasse bem os caminhos do incerto e difícil futuro. Mas não, ainda não lhe vi sombra de diagnóstico.

Como militante socialista não me revejo nele. E, por isso, a insinuação mediática ainda me incomoda mais: trata-se, claramente, de spin doctoring. Que significa dizer que quem gosta de dinheiro se deve afastar da política? Por acaso, a política não lida com dinheiro, finanças, economia? Eu diria o contrário: quem olha assim para a economia não pode estar na política. E muito menos na posição de PR! É perigosa esta dissociação! Lembro-me sempre do velho e despojado inquilino de S. Bento! E que significa falar de “regeneração”? Fogos, na floresta da política? É o que parece.

Em política, há palavras que queimam! E falar dos políticos antigos? Quais? Os que o apoiam? Acaso SdN é um jovem que acaba de descobrir que mudará o mundo, como Arquimedes, a partir da alavanca de uma política em que não sujou as mãos até à sua idade? A leitura atenta do seu discurso deixa-me sérias dúvidas acerca do seu perfil como candidato da área PS. Outros haverá com melhor perfil. E nem é preciso ir de lanterna à sua procura. Querem um exemplo? Guilherme d’Oliveira Martins. Comparem os curricula. E as sondagens falam claro: enquanto SdN só é conhecido de 48% dos eleitores e é rejeitado por 45%, Oliveira Martins atinge uma notoriedade de 58% e só é rejeitado por 27 (Aximage). O agendamento da candidatura SdN não é o melhor para o PS. António Costa deveria dar por terminado este perigoso namoro dizendo claramente que o PS não definiu candidato e que SdN corre por conta própria, como tantos outros.

 

João de Almeida Santos
Docente da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias

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Lido 535 vezes Modificado a 22/05/2015 - 13:49

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