21/01/2016 - 17:21

A internacionalização das universidades

A internacionalização tem sido um fator de desenvolvimento e inovação no ensino superior português. Nas últimas décadas, a internacionalização das universidades tem ocorrido, essencialmente, através de programas de mobilidade de alunos e da cooperação com universidades estrangeiras em projetos de investigação. Este percurso tem possibilitado o crescimento da massa crítica nas universidades, o surgimento das mesmas nos rankings internacionais e a obtenção de benefícios indiretos na economia. Contudo, a internacionalização das universidades, como instituições formadoras ao nível da licenciatura, é ainda pouco significativa, embora com exceções de alunos das antigas colónias.

Assim, o momento de crise económica surge como uma janela de oportunidade para implementação de novas estratégias de financiamento do ensino superior e para colmatar a queda do número de alunos e/ou aumentar a utilização da capacidade instalada nas instituições. O caso de Engenharia Civil é pragmático. Num total de 23 licenciaturas e mestrados integrados em instituições públicas, na 1.ª fase de colocações houveram 13 que ficaram vazias; o que reflete um subaproveitamento do ensino superior.

Portanto, da mesma forma que as empresas portuguesas viram, por exemplo, em Angola um potencial de crescimento dos negócios, as universidades precisam de amarrar esta oportunidade para internacionalizar os seus cursos de licenciatura. Ainda assim, estas precisam de reorganizar certos planos de ensino e conteúdos programáticos de modo a direcionar os seus cursos para interesses específicos de alguns países chave.

Em paralelo, o Estatuto do Estudante Internacional, estabelecido através do Decreto-Lei n.º 36/2014 de 10 de março, é uma abertura do governo à internacionalização das licenciaturas e mestrados integrados. Contudo, a sua implementação tem sido desafiada por fatores burocráticos, tais como pouca experiência das instituições superiores neste campo e alguma lentidão na emissão de vistos pelas embaixadas. Não obstante, em particular, de acordo com o previsto na lei do financiamento do ensino superior, as instituições públicas poderão fixar propinas diferenciadas para alunos internacionais, tendo em consideração o custo real da formação. Neste contexto, a internacionalização é, especialmente, uma fonte de financiamento e de alunos para as universidades não estatais, uma vez que estas possuem maior flexibilidade e outra capacidade para fazer uma adequada gestão dos meios financeiros disponíveis.

Elói J. F. Figueiredo
Diretor da Licenciatura em Engenharia Civil
Universidade Lusófona, Lisboa

 

Lido 1214 vezes Modificado a 21/01/2016 - 17:40

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