09/12/2011 - 09:36

Perspe(c)tivas com Carla Cardoso / Isento

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Isento

A crise, aquela da qual já nem se pode ouvir falar, serve para mostrar de forma crua e violenta a dimensão da pobreza em Portugal. Entre as guerras de números que os media noticiam, há uma palavra que surge de vez em quando: isento, ou seja, aquele que fica de fora dos sacrifícios. E, infelizmente, são milhões os que já não têm nada para sacrificar.

Percorrer os últimos casos torna essa realidade visível. Fora da sobretaxa de 50 por cento aplicada ao subsídio de férias deste ano ficaram cerca de 80 por cento dos reformados e três milhões de famílias. Isso significa que cada uma dessas pessoas vive com um valor mensal inferior a 485 euros, o ordenado mínimo nacional.

Sem cortes nos subsídios de Natal e Férias de 2012 “escapam” quase dois milhões de pensionistas, por auferirem menos de 600 euros mensais, ou seja, é essa a situação de 78,5 por cento da totalidade dos reformados portugueses.

Os aumentos na Saúde são a mais recente novidade. Seis milhões de pessoas não têm de se preocupar em pagar os valores que passam para mais do dobro a partir de Janeiro. Porquê? Porque a cada mês os rendimentos individuais de mais de metade da população portuguesa não ultrapassam os 628,83 euros.

Neste panorama, não ser isento soa a privilégio. Na quadra festiva que se vive – este ano de forma mais discreta – a realidade denunciada pela frieza dos números ajuda aqueles que ainda podem partilhar a sentirem-se incentivados a fazê-lo com quem nada pode. E se 2012 vai ser pior, então fica aqui já um voto: que a boa vontade e a solidariedade, que parecem descer quase por magia sobre muitos quando o Natal está à porta, se mantenham vivas todos os dias. Mais do que nunca, vai ser preciso estar atento ao próximo.

Coordenadora Pedagógica da Licenciatura em Comunicação e Jornalismo
Investigadora do CICANT - ECATI
Coordenação da Redação LOC


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