03/10/2012 - 08:41

Perspe(c)tivas com Carla Cardoso / Portugal

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Portugal

Quando estava no 11º ano, frequentava a então chamada área de Saúde. Entre as disciplinas, havia Ecologia. Já passaram mais de duas décadas, mas ainda me lembro de uma referência que havia no manual – uma notícia de jornal que dizia: “Morreu o último francês. Causa: solidão”. Vinha o exemplo a propósito da descida da taxa de natalidade nos países europeus. O tempo passou e o problema alargou-se e piorou.

Para que uma nação garanta o seu futuro cada casal tem de ter no mínimo dois filhos. As contas são fáceis de fazer – duas pessoas deixam a vida ativa e outras duas, os filhos, substituem-nas. Olhando em volta, há casais que decidiram, como opção de vida, não ter filhos. Outros, que terão apenas um. E muitos que sonham com uma família alargada, mas reconhecem que as condições em que vivem as impedem de dar vida a esse desejo.

Vários países europeus já reconheceram a gravidade da situação e tomaram medidas para tentar invertê-la – Alemanha e França são apenas dois exemplos. Oferecem regalias a mães e casais que decidem ter crianças. Por cá, o problema torna-se mais grave a cada ano. Segundo dados da PORDATA, em 2010 o número médio de filhos por mulher tinha descido para 1,37, quando em 1980 era de 2,25. Apesar disso, após a licença de maternidade nasce um vazio absoluto em termos de apoios consistentes ao crescimento de um filho.

Neste caminho, em que se avança sem cuidar do amanhã, corre-se o risco de alguém, num outro país, abrir um dia o jornal e deparar-se com uma notícia de rodapé: “Morreu o último português. Causa: solidão”.

A partir de 12 de outubro, a crónica Perpe(c)tivas regressa quinzenalmente.

Coordenadora Pedagógica da Licenciatura em Comunicação e Jornalismo
Investigadora do CICANT - ECATI
Coordenação da Redação LOC

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Lido 752 vezes Modificado a 03/10/2012 - 10:59

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