06/08/2012 - 16:16

233 Estudantes concluem cursos na Universidade Lusófona da Guiné

233 Estudantes da Universidade Lusófona da Guiné (ULG) concluíram seus cursos nas áreas de Comunicação Organizacional, Economia, Enfermagem, Serviço Social, Engenharia Informática e Sociologia, tendo sido galardoados com diplomas de licenciatura à cada finalista.

finalistas-ulgA cerimónia de entrega de diplomas aos licenciados foi presidida pelo Presidente da República de Transição (PRT), Manuel Serifo Nhamadjo nas presenças do ministro da tutela, do reitor e do administrador da ULG, respectivamente, Vicente Pungura, Rui Jandi e Faria Ferreira e várias outras personalidades convidadas para assistir o acto.

Na ocasião, o Chefe de Estado aconselhou ao Governo de Transição, apesar da sua limitação no horizonte temporal, para se criar as bases sólidas com perspectivas de novos postos de emprego para a camada juvenil guineense.

Ainda ao Executivo de Transição, o Chefe de Estado falou da necessidade de elaboração de uma Política Nacional para a Juventude e a sua respectiva mobilização de recursos para a sua a sua implementação com vista a minimizar o sofrimento que assola a camada juvenil que considerou de garante do futuro e da continuidade da “guineendade”.

Manuel Serifo Nhamadjo indicou que o Executivo para orientar a sua acção no sector da Educação no sentido de melhoria progressiva as condições de vida e de trabalho da classe docente, adoptando o diálogo como única via para a obtenção de sucesso.

Sobre as reivindicações laborais que ocorrem no país, o Primeiro Magistrado da Nação apelou ao Governo e as partes para privilegiarem o diálogo e procurar soluções graduais para os enormes problemas com que se confronta a Guiné-Bissau.

Ao sector da Justiça, a ocasião serviu para Manuel Serifo Nhamadjo recomendar com rigorosidade para que seja feita justiça ao povo guineense, que, sendo segundo ele, o único caminho que irá proporcionar a possibilidade de uma verdadeira reconciliação nacional.

Ainda no capítulo da justiça, Nhamadjo disse que é urgente a realização de eleições livres e democráticas no Supremo Tribunal de Justiça. Igualmente, é necessária a conclusão rápida dos processos de investigação pela Procuradoria-Geral da República e traduzidos à justiça para efectivo julgamento de todos os casos de crimes cometidos no país.

“A reforma no aparelho de Estado é um imperativo que só é possível de alcançar com a acção de uma juventude patriótica, sã e bem formada. A paz constrói-se com fundamentos na verdade e na justiça – tributos bastante reclamados pela juventude guineense”, lembrou.

O PRT recordou que o país viveu momentos difíceis e conturbados mas mantém-se convicto de que a Guiné-Bissau e os guineenses serão capazes de ultrapassar as dificuldades e trilhar caminhos que conduzam o país à reconciliação, paz e edificação das instituições fortes e democráticas.

“O Governo de Transição deve trabalhar com maior celeridade no processo de preparação para a realização das eleições gerais livres, justas transparentes e democráticas dentro do prazo definido para a Transição, exortando as instituições implicadas de forma directa ou indirectamente de que o escrutínio de 2013 é inadiável e imperioso”, lembrou o PRT.

Manuel Serifo Nhamadjo terminou o seu discurso nesta cerimónia com um ditado que diz “não há bem que sempre dure e o mal que nunca acaba”, pedindo aos finalistas que façam o esforço para que todos juntos se consigam galvanizar as energia patentes em todos eles e ajudarem a transformar a Guiné-Bissau num país que todos desejam ter mas, sem exclusão e radicalismos, mas acima de tudo, trabalhar para o bem da Nação guineense.

O ministro da Educação Nacional, Cultura, Ciência, Juventude e dos Desportos, Vivente Pungura, advertiu aos finalistas que o estudo de um académico começa exactamente a partir do dia em que o estudante receber o seu diploma de licenciatura, abrindo portas à este ao campo de conhecimento continuamente, até à morte.

Vicente Pungura exortou às instituições de formação do país para se pautarem pela qualidade e acreditação dos seus formandos de forma a permitir um reconhecimento internacional dos diplomas atribuídos aos estudantes.

A este propósito, Pungura disse que o Ministério tem trabalhado para a promoção e aprovação de instrumentos de regulamentação ligados a normas de funcionamento de Ensino Superior e Investigação Científica, nomeadamente a Lei Base do Sistema Educativo e do Ensino Superior, o Estatuto da Carreira Docente Universitário, Projecto de Estatuto da Universidade “Amílcar Cabral”, entre outros, são dispositivos legais em curso.

“Estamos conscientes de que esta é a fase inicial de um processo de formação académica apesar de algumas experiências satisfatórias como é o caso das Faculdades de Direito e de Medicina de Bissau. Aliás, estas duas experiências testemunharam quão importantes são em matéria de cooperação no domínio da formação”, disse o ministro.

Por seu turno, o reitor da ULG, Rui Jandi, afirmou que a educação e a formação não são competências exclusivas do Estado. No seu entender, a sociedade e os outros autores do sistema educativo devem desempenhar um papel preponderante na promoção do ensino independentemente dos regimes políticos instalados.

O reitor lembrou que a ULG é privada mas a sua finalidade é pública, pois prepara recursos humanos para servir a sociedade.

Por seu lado, o coordenador geral do Grupo Lusófona e membro fundador da ULG, Tcherno Djaló, citou três grupos de “demónios” que têm mantido a Guiné-Bissau no subdesenvolvimento, nomeadamente a ignorância, que na sua opinião mergulhou e continua a mergulhar o país no atraso e na pobreza;

O segundo grupo de “demónios” tem a ver com as ganâncias, as ambições desmedidas, o sentimento de prepotência, aposta no dinheiro fácil que conduz as pessoas à corrupção e ao envolvimento às actividades ilícitas que minam os alicerces do poder; E, no terceiro grupo citou as invejas, as intrigas, a intolerância e a violência que destruíram e continuam a destruir muitas vidas dos concidadãos;

“São estes demónios que impediram para que os guineenses se encontrassem num consenso mínimo que permita pôr de parte as nossas diferenças e diferendos para colocarmos o país acima de tudo e de todos”, relevou Tcherno Djaló.

Djaló disse haver necessidade de manter segurança no sistema educativo, dando garantias aos pais que o filho na escola está a aprender um ensino de qualidade, igualmente, segurança no sistema de saúde, proporcionando à cada doente cuidados e tratamentos dignos, bem-estar dos cidadãos nos seus lares, dispondo da energia eléctrica regular e o saneamento básico.

Em nome dos finalistas, discursou Albino Gomes Vermelho. O recém-diplomado manifestou em nome dos colegas de que estão prontos a servir a Pátria que os viu a nascer e manter-se-ão fiéis aos objectivos que nortearam as suas formações em diferentes domínios.

O finalista alertou ao Governo para estimular uma política de criação de emprego por forma a não deixar estes recursos humanos desempregados, desencorajando a geração futura em procurar o saber. Apelou ao sector privado no sentido suportarem os futuros pedidos de inserção no mercado de trabalho.

Salienta-se que, a Universidade Lusófona da Guiné foi criada em 1999 e já formou cerca de seiscentas pessoas, em diferentes áreas académicas, sendo que estes recém-diplomados pertencem ao segundo grupo de finalistas depois de cinco anos de formação.

em Ciência Hoje

Lido 651 vezes Modificado a 06/08/2012 - 16:36

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