233 Estudantes da Universidade Lusófona da Guiné (ULG) concluíram seus cursos nas áreas de Comunicação Organizacional, Economia, Enfermagem, Serviço Social, Engenharia Informática e Sociologia, tendo sido galardoados com diplomas de licenciatura à cada finalista.
A cerimónia de entrega de diplomas aos licenciados foi presidida pelo Presidente da República de Transição (PRT), Manuel Serifo Nhamadjo nas presenças do ministro da tutela, do reitor e do administrador da ULG, respectivamente, Vicente Pungura, Rui Jandi e Faria Ferreira e várias outras personalidades convidadas para assistir o acto.
Na ocasião, o Chefe de Estado aconselhou ao Governo de Transição, apesar da sua limitação no horizonte temporal, para se criar as bases sólidas com perspectivas de novos postos de emprego para a camada juvenil guineense.
Ainda ao Executivo de Transição, o Chefe de Estado falou da necessidade de elaboração de uma Política Nacional para a Juventude e a sua respectiva mobilização de recursos para a sua a sua implementação com vista a minimizar o sofrimento que assola a camada juvenil que considerou de garante do futuro e da continuidade da “guineendade”.
Manuel Serifo Nhamadjo indicou que o Executivo para orientar a sua acção no sector da Educação no sentido de melhoria progressiva as condições de vida e de trabalho da classe docente, adoptando o diálogo como única via para a obtenção de sucesso.
Sobre as reivindicações laborais que ocorrem no país, o Primeiro Magistrado da Nação apelou ao Governo e as partes para privilegiarem o diálogo e procurar soluções graduais para os enormes problemas com que se confronta a Guiné-Bissau.
Ao sector da Justiça, a ocasião serviu para Manuel Serifo Nhamadjo recomendar com rigorosidade para que seja feita justiça ao povo guineense, que, sendo segundo ele, o único caminho que irá proporcionar a possibilidade de uma verdadeira reconciliação nacional.
Ainda no capítulo da justiça, Nhamadjo disse que é urgente a realização de eleições livres e democráticas no Supremo Tribunal de Justiça. Igualmente, é necessária a conclusão rápida dos processos de investigação pela Procuradoria-Geral da República e traduzidos à justiça para efectivo julgamento de todos os casos de crimes cometidos no país.
“A reforma no aparelho de Estado é um imperativo que só é possível de alcançar com a acção de uma juventude patriótica, sã e bem formada. A paz constrói-se com fundamentos na verdade e na justiça – tributos bastante reclamados pela juventude guineense”, lembrou.
O PRT recordou que o país viveu momentos difíceis e conturbados mas mantém-se convicto de que a Guiné-Bissau e os guineenses serão capazes de ultrapassar as dificuldades e trilhar caminhos que conduzam o país à reconciliação, paz e edificação das instituições fortes e democráticas.
“O Governo de Transição deve trabalhar com maior celeridade no processo de preparação para a realização das eleições gerais livres, justas transparentes e democráticas dentro do prazo definido para a Transição, exortando as instituições implicadas de forma directa ou indirectamente de que o escrutínio de 2013 é inadiável e imperioso”, lembrou o PRT.
Manuel Serifo Nhamadjo terminou o seu discurso nesta cerimónia com um ditado que diz “não há bem que sempre dure e o mal que nunca acaba”, pedindo aos finalistas que façam o esforço para que todos juntos se consigam galvanizar as energia patentes em todos eles e ajudarem a transformar a Guiné-Bissau num país que todos desejam ter mas, sem exclusão e radicalismos, mas acima de tudo, trabalhar para o bem da Nação guineense.
O ministro da Educação Nacional, Cultura, Ciência, Juventude e dos Desportos, Vivente Pungura, advertiu aos finalistas que o estudo de um académico começa exactamente a partir do dia em que o estudante receber o seu diploma de licenciatura, abrindo portas à este ao campo de conhecimento continuamente, até à morte.
Vicente Pungura exortou às instituições de formação do país para se pautarem pela qualidade e acreditação dos seus formandos de forma a permitir um reconhecimento internacional dos diplomas atribuídos aos estudantes.
A este propósito, Pungura disse que o Ministério tem trabalhado para a promoção e aprovação de instrumentos de regulamentação ligados a normas de funcionamento de Ensino Superior e Investigação Científica, nomeadamente a Lei Base do Sistema Educativo e do Ensino Superior, o Estatuto da Carreira Docente Universitário, Projecto de Estatuto da Universidade “Amílcar Cabral”, entre outros, são dispositivos legais em curso.
“Estamos conscientes de que esta é a fase inicial de um processo de formação académica apesar de algumas experiências satisfatórias como é o caso das Faculdades de Direito e de Medicina de Bissau. Aliás, estas duas experiências testemunharam quão importantes são em matéria de cooperação no domínio da formação”, disse o ministro.
Por seu turno, o reitor da ULG, Rui Jandi, afirmou que a educação e a formação não são competências exclusivas do Estado. No seu entender, a sociedade e os outros autores do sistema educativo devem desempenhar um papel preponderante na promoção do ensino independentemente dos regimes políticos instalados.
O reitor lembrou que a ULG é privada mas a sua finalidade é pública, pois prepara recursos humanos para servir a sociedade.
Por seu lado, o coordenador geral do Grupo Lusófona e membro fundador da ULG, Tcherno Djaló, citou três grupos de “demónios” que têm mantido a Guiné-Bissau no subdesenvolvimento, nomeadamente a ignorância, que na sua opinião mergulhou e continua a mergulhar o país no atraso e na pobreza;
O segundo grupo de “demónios” tem a ver com as ganâncias, as ambições desmedidas, o sentimento de prepotência, aposta no dinheiro fácil que conduz as pessoas à corrupção e ao envolvimento às actividades ilícitas que minam os alicerces do poder; E, no terceiro grupo citou as invejas, as intrigas, a intolerância e a violência que destruíram e continuam a destruir muitas vidas dos concidadãos;
“São estes demónios que impediram para que os guineenses se encontrassem num consenso mínimo que permita pôr de parte as nossas diferenças e diferendos para colocarmos o país acima de tudo e de todos”, relevou Tcherno Djaló.
Djaló disse haver necessidade de manter segurança no sistema educativo, dando garantias aos pais que o filho na escola está a aprender um ensino de qualidade, igualmente, segurança no sistema de saúde, proporcionando à cada doente cuidados e tratamentos dignos, bem-estar dos cidadãos nos seus lares, dispondo da energia eléctrica regular e o saneamento básico.
Em nome dos finalistas, discursou Albino Gomes Vermelho. O recém-diplomado manifestou em nome dos colegas de que estão prontos a servir a Pátria que os viu a nascer e manter-se-ão fiéis aos objectivos que nortearam as suas formações em diferentes domínios.
O finalista alertou ao Governo para estimular uma política de criação de emprego por forma a não deixar estes recursos humanos desempregados, desencorajando a geração futura em procurar o saber. Apelou ao sector privado no sentido suportarem os futuros pedidos de inserção no mercado de trabalho.
Salienta-se que, a Universidade Lusófona da Guiné foi criada em 1999 e já formou cerca de seiscentas pessoas, em diferentes áreas académicas, sendo que estes recém-diplomados pertencem ao segundo grupo de finalistas depois de cinco anos de formação.
em Ciência Hoje

