28/10/2009 - 10:16

A transversalidade da ética na sociedade contemporânea

A teoria e a prática da comunicação encontraram-se na Universidade Lusófona a 17 de Outubro.  Foi durante a mesa subordinada ao tema Ética e Comunicação, inserida na série de colóquios Ética e Mundo Contemporâneo, que Diana Andringa e Jorge Leandro Rosa discursaram sobre duas visões do mesmo tema.

A jornalista e ex-presidente do Sindicato de jornalistas considera que a profissão tem sido vítima das questões de produção do jornalismo. “Não há ética compatível com a velocidade”, considera, referindo que “na maior parte do tempo temos prazos para cumprir, notícias para fazer e pouco tempo para pensar”, o que retira qualidade ao trabalho do jornalista.

Diana Andringa apresentou casos concretos em que as notícias podem ter consequências graves, ainda assim, sustenta a importância de “defendermos aquilo em que acreditamos.”

Para o professor da Lusófona, o problema ético da comunicação não se resume ao jornalismo. Jorge Leandro Rosa considera que “de alguma forma passámos de uma obsessão com a omnisciência para uma obsessão com a omnividência”, em que só é acontecimento o que passa na televisão. As ocorrências não testemunhadas “passam a existir no limbo”, refere.

O teórico da comunicação questiona se “a definição editorial não é um ato ético à partida”. A dúvida surgiu depois de apresentar o exemplo de uma reportagem sobre uma viagem à Polónia em que Auschwitz-birkenau é inserido como um simples ponto na visita e não com a importância devida.


O papel da Ética no Território e Urbanismo


A mesa sobre Território e Urbanismo abriu o dia com as presenças de Lia Vasconcelos, da Universidade Nova de Lisboa, Fonseca Ferreira, candidato pelo PS à Câmara de Palmela, e Mário Moutinho, Magnífico Reitor da Universidade Lusófona.

Lia Vasconcelos deu a conhecer um projeto de sensibilização para o ordenamento do território levado a cabo no Bairro da Cova da Moura. Segundo a mesma, o bairro foi construído com grande sentido de organização pela comunidade. A professora acredita que a Cova da Moura tem sustentabilidade e que este projeto deu à população residente “crescentes relações de confiança e uma interiorização de regras de participação”.

coloquios_campo_grande2.2Fonseca Ferreira discursou sobre dois pontos que considera fulcrais, o “confronto entre o planeamento e a gestão urbanística”, e aquela que considera uma “questão ética fundamental”, a questão ambiental. Fonseca Ferreira reconhece uma certa evolução nas últimas quatro décadas, receando, contudo, que “de um modo geral os problemas mantém-se”.

O dia encerrou com a mesa Ética, Estética e Cultura, e teve as intervenções dos professores da Lusófona, José Gomes Pinto, Rafael Gomes Filipe e Luís Filipe Teixeira.

As atas das diferentes comunicações produzidas nos colóquios serão publicadas em livro. O encerramento será no dia 27 deste mês, e terá a presença de Henk ten Have, especialista em Bioética.
 

Paulo Rosa

 

Lido 2700 vezes Modificado a 11/10/2010 - 15:26

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