25/03/2010 - 13:00

Vida e Morte com dignidade

A Eutanásia esteve em discussão na Lusófona a 18 de Fevereiro. A Associação Académica de Direito promoveu o encontro que juntou representantes do CDS, PSD e Bloco de Esquerda.

O tema, sendo fraturante, provocou naturais divergências nos participantes, quer pela sua ideologia política, quer pela sua formação de base. Jorge Bacelar Gouveia, deputado pelo PSD, apresentou uma visão de um ponto de vista jurídico enquanto Isabel Galriça Neto, CDS, e Bruno Maia do Bloco de Esquerda falaram sob uma perspetiva clínica.

Conferncia--Eutansia-um-conflito-de-valoresBacelar Gouveia lamenta uma visão economicista do problema que facilita a discussão e aceitação da eutanásia, por parte do Estado que “vai poupar dinheiro”, e das famílias que ainda que inconscientemente sentem que “isso lhes vai aliviar muitos transtornos”. O deputado defende que “a pessoa não deixa de ser pessoa por estar doente ou por deixar de ser útil à sociedade”.

Isabel Galriça Neto é Presidente da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos e deputada do CDS por Lisboa. Com uma vasta experiência na área dos cuidados paliativos, defende esta intervenção, não como alternativa à eutanásia mas porque permite ao doente viver “de forma mais digna”. A deputada protestou contra a falta de informação da sociedade, mas também dos médicos que não são preparados para trabalhar com cuidados paliativos. É contra a eutanásia porque não “resolve o sofrimento em fim de vida”, e prefere a “intervenção sobre o sofrimento do que matar o que sofre”.

Bruno Maia, médico, concorda que os profissionais de saúde não estão devidamente preparados para lidar com cuidados paliativos. No entanto, falou como cidadão pois defende que “deve ser a sociedade e não os peritos a ter uma palavra a dizer sobre esta legislação”. Os dois processos “são coisas diferentes” e não concebe “que alguém que pede para morrer não tenha tido acesso a cuidados paliativos de ponta”. O Bloco de Esquerda, afirma Bruno Maia, é a favor de uma lei que responda aos vários problemas levantados na discussão e que “permita a um indivíduo ter uma morte através da eutanásia” quando tudo o resto falhe.

Paulo Rosa

Lido 2343 vezes Modificado a 11/10/2010 - 14:47

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