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31/07/2013 - 14:34

Uma académica sem medo de desafios

Gosta de chuva, de ler e de escrever. Cláudia Álvares preside à ECREA, a mais importante associação europeia na área das Ciências da Comunicação, desde outubro de 2012. Uma vitória pessoal, profissional e nacional, para a professora universitária que investiga há mais de uma década. Séria, empenhada, trabalhadora, profissional, são algumas das qualidades que quem a conhece lhe atribui. No início deste ano, abraçou mais um desafio: integrar o painel de avaliadores da agência A3ES, que acredita o Ensino Superior em Portugal.

foto news

Maria Cláudia Silva Afonso e Álvares nasceu em Tóquio, no Japão, em 1970. Cláudia Álvares, como é conhecida no mundo académico, é casada e tem uma filha de três anos “que lhe mudou a vida”. Gosta de chuva. De ler e escrever, algo a que gostava de dedicar mais tempo. Com uma filha foram ganhos novos hábitos, e as leituras entre pingos atrás da janela deram lugar a tardes solarengas a brincar nos jardins.

Filha de pais portugueses, aos 18 anos mudou-se de Tóquio para Lisboa. Para trás ficou o sonho de estudar nos Estados Unidos ou em Inglaterra. No entanto, esta foi uma decisão “importante” na vida da professora.  Fotografia de Henrique Bento

Como portuguesa sentia que “era inevitável voltar [ao país onde nunca tinha estado]nem que fosse pela experiência”.

Um choque cultural e civilizacional

Apesar das origens, nem tudo foi fácil. Doze anos numa escola inglesa, no Japão, obrigaram a um “esforço redobrado”. Para além da barreira linguística, Cláudia Álvares deparou-se com “um grande choque cultural e civilizacional” quando chegou a Portugal.

Corria o ano de 1988 e ingressou na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade Nova de Lisboa, na licenciatura em Comunicação Social. Os primeiros tempos foram de aprendizagem, sobretudo através da leitura, porque o curso escolhido “era muito difícil” e a escrita “era algo muito enfatizado”.

Valeu-lhe o gosto pela escrita estar-lhe no sangue. A sua primeira opção universitária, aliás, era a literatura, mas depressa caiu por na “altura se dizer que era um curso com poucas saídas profissionais”. Em alternativa, escolheu Comunicação Social, porque “permitia escrever e abranger diversas áreas”, lembra.

A trabalhar, mas insatisfeita

Cláudia Álvares completa a licenciatura em 1992 e depressa se lança no mercado de trabalho. Começa por estagiar na revista Visão, que dava os primeiros passos, entra na SIC onde colabora no programa Sexo Forte, coordenado por Paula Moura Pinheiro, e aposta depois numa empresa de publicações especializadas, até que decide voltar a estudar.

Sentia-se “incompleta e insatisfeita”, por isso, em 1994, inicia uma pós-graduação em Estudos Europeus na Universidade Católica, em Lisboa. O regresso à universidade reacendeu um desejo antigo: “estudar lá fora”. Cumpridas todas as metas a que se tinha proposto em Portugal, e à procura daquilo que queria realmente fazer, a investigadora muda-se para Inglaterra para enriquecer o currículo académico.

Reencontro com as “raízes educacionais”

Em 1995, entra no Goldsmiths College, da Universidade de Londres, no Reino Unido, para obter o grau de mestre em Jornalismo. Havia a ambição de seguir a profissão, mas uma cadeira de epistemologia que teve durante o mestrado levou-a a fazer o doutoramento em Ciências da Comunicação, na mesma faculdade.

Foram tempos de reencontro de Cláudia Álvares com as suas “raízes educacionais”. Uma atitude “espontânea”, mas que na ótica da investigadora exigiu “alguma maturidade que ganhou com a experiência de vida e a trabalhar”.

Com o doutoramento, veio a docência. Cláudia Álvares começa a dar aulas em 1999. Um trabalho “pontual” como assistente do regente numa cadeira, até que chega à Universidade Lusófona no ano letivo 2001/2002 por intermédio do professor José Bragança de Miranda, Diretor da Escola de Comunicação, Arquitetura, Artes e Tecnologias de Informação (ECATI).

Professora há mais de dez anos na ECATI, Cláudia Álvares não se limita a dar aulas. A docente escreveu já vários livros e artigos académicos que foram publicados a nível nacional e internacional, sendo que o primeiro surgiu em 2006, com base na tese de doutoramento.

Apesar de “gostar” de dar aulas, confessa que se não fosse professora provavelmente trabalhava numa editora porque o contacto com os livros é algo que a alicia. Longe das editoras e com os pés bem assentes no chão, Cláudia Álvares dedica grande parte do tempo à investigação. Para além das aulas, é presidente do CICANT – Centro de Investigação em Comunicação Aplicada, Cultura e Novas Tecnologias, da Universidade Lusófona.

Reconhecimento nacional e internacional

Em outubro de 2012 tornou-se presidente da ECREA, o cargo mais importante na principal associação académica europeia na área das Ciências da Comunicação. Uma eleição “importante a nível pessoal, mas também para Portugal”, numa altura em que as rivalidades entre Norte e Sul da Europa estão mais vincadas, considera a investigadora.

No início deste ano, bate-lhe à porta um novo desafio. Não resiste ao convite da agência A3ES e integra agora o painel de avaliadores da entidade responsável pela acreditação do Ensino Superior português. Trabalho redobrado, mas feito com o prazer da noção da responsabilidade envolvida.

Rigor divide alunos e recolhe aplausos de colegas

“Desconfiada, séria e esforçada”. É assim que Cláudia Álvares se caracteriza. Uma postura que divide os alunos. Para Neuza Padrão, estudante do 2º ano de Comunicação e Jornalismo, Cláudia Álvares é uma professora que procura “ter sempre a atenção dos alunos durante toda a aula e não dá espaço para brincadeiras ou desatenções”.

Neuza diz que Cláudia Álvares é “uma pessoa bastante inteligente e humilde”, ao ponto de estar sempre a aprender com os alunos e com aquilo que estes lhe podem dar de novo. Já Daniela Fernandes, finalista da mesma licenciatura da ECATI, vê na investigadora uma pessoa “muito fechada” que se limita a dar as aulas e “não entra muito em diálogo com os alunos”.

Manuel José Damásio, Administrador-adjunto do Grupo Lusófona, define Cláudia Álvares como uma “profissional excecionalmente séria e empenhada”, a quem as entidades europeias reconheceram “prestígio”. O responsável destaca ainda na professora “uma relação de entreajuda e abertura à discussão de posições e perspetivas que favorece o bom ambiente académico”.

Exigente, organizada, inteligente

É uma pessoa “muito trabalhadora”, afirma Carla Rodrigues Cardoso, diretora do curso de Comunicação e Jornalismo da ECATI, que conhece Cláudia Álvares desde que a investigadora começou a dar aulas na Lusófona, em 2001. Considera-a não só uma colega como uma amiga. Da sua personalidade, destaca a exigência com que pauta a sua vida, procurando sempre “fazer tudo bem feito, com qualidade e da melhor forma possível”.

Também professora na Lusófona, Carla Martins já teve a oportunidade de trabalhar com Cláudia Álvares num projeto de investigação. Dessa experiência, realça a “singularidade” da académica. Reconhece-a como “uma senhora de uma grande inteligência e profundidade, com uma preparação teórica e uma capacidade de trabalho e de organização impressionantes e nada comuns”.

Para Carla Martins, o percurso profissional e académico da investigadora “manifesta as suas capacidades” e a recente eleição para presidente da ECREA mostra que “é muito respeitada” nos círculos académicos nacionais e internacionais.

No futuro, Cláudia Álvares pretende continuar a dar aulas, escrever artigos e continuar “a dar o máximo a vários níveis, nomeadamente na investigação”. Apesar da atual conjuntura que Portugal atravessa, encara a crise como uma oportunidade, no sentido em que há “uma nova possibilidade de pensar novos rumos e novos caminhos”.

Tomás Tim-Tim
Redação LOC
Lido 5306 vezes Modificado a 04/09/2014 - 15:41

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