Hoje é possível estar num sítio sem um acesso clássico à Internet e através de um telemóvel conseguir ter acesso à rede. Mas essa facilidade traz consequências para o ambiente.
Todos os dias surgem novos meios e ferramentas tecnológicas. Em casa, para o trabalho ou escola, leva-se o portátil, o telemóvel ou o último tablet acabado de chegar ao mercado. De uma forma simples e rápida, é possível estar entretido, ser informado ou comunicar.
As tecnologias da informação e da comunicação melhoram o dia-a-dia e tornaram-se indispensáveis, mas têm um efeito poluidor. Um computador ligado emite entre 40 a 80g de dióxido de carbono (CO₂) por hora para a atmosfera. E foi por aqui que António Júnior começou a conferência “Mecanismos de Encaminhamento Multihop Energeticamente Eficientes”, a 16 de novembro.
Mais saltos, mais delay
Mecanismos multihop são formas de encaminhar uma mensagem para o ponto de acesso, utilizando computadores intermediários. Através de “multi-saltos”, isso pode ser feito de diferentes formas. “Por exemplo, eu tenho um mecanismo em que uso a menor distância [entre computadores] para alcançar o access point; tenho outro em que uso a menor quantidade de saltos; e um outro mecanismo é o de usar a bateria dos computadores, escolher o que tem a melhor bateria para encaminhar a mensagem”.
Consegue-se obter menos energia economizando pontos de acesso, isto é, com menos pontos de acesso temos menos saltos, poupando assim energia. Para além disso, “mais saltos significa mais delay”, lembrou António Júnior, o que implica mais tempo para fazer chegar a mensagem ao destino. Mas o facto de os computadores estarem em rede, através de um sistema sem fios (wireless), por exemplo, dificulta a medição das emissões de CO₂ na internet.
Empresas “amigas” do ambiente
As empresas começam a preocupar-se com a necessidade de tornar a Internet mais eficiente do ponto de vista energético. São exemplos a Microsoft e a Sun Microsystems. Esta última desenvolveu o Green WiFi, um sistema de rede sem fios movido a energia solar.
No entanto, “as empresas tentam minimizar os factos”, denunciou António Júnior. E deu um exemplo. De acordo com o gigante norte-americano Google, uma pesquisa simples no motor de busca produz 0,2g de dióxido de carbono. O físico Alex Wissner-Gross, da Universidade de Harvard, garante que o valor real das emissões varia entre sete e dez gramas.
É possível calcular as emissões de carbono no meio que nos rodeia, casa, automóvel, viagens, através do site www.carbonfootprint.com/calculator.aspx.
Mónica de Barros


