A sexologia tem sido alvo de preconceitos e tabus ao longo dos séculos. Com a revolução sexual dos anos 60 nasceram comportamentos sociais com influência em questões políticas, económicas e culturais. E esta ciência ganhou relevo.
“A Sexualidade na Adolescência” e “Crimes Sexuais e Psicologia Forense” foram alguns dos temas em foco nas VI Jornadas de Sexologia. Psicólogos, médicos, enfermeiros, professores e alunos debateram alguns dos assuntos mais controversos desta área, de 3 a 5 de novembro, na Universidade Lusófona.
“Há quem diga que as crianças são sedutoras ou que as mulheres provocam os homens. Isto é estúpido e é grave que este pensamento ainda exista”, defendeu Carlos Poiares, Diretor da Faculdade de Psicologia da Universidade Lusófona. O Diretor criticou o funcionamento dos tribunais dando um exemplo: “A filha é obrigada a acariciar o pénis do pai e o pai é absolvido porque isto não é considerado crime”.
“Abusadores sabem que estão a cometer um crime”
Segundo Carlos Poiares, existem vários indivíduos que quando saem das prisões “vão voltar, por exemplo, a violar”. Mas para o psicólogo, o mais grave é que “estes abusadores sabem que estão a cometer um crime e a fazer mal à criança”.
E se os abusadores fazem mal às crianças, “muitos pais sabem que os filhos são abusados e assobiam para o ar, fingindo que não sabem de nada e ainda por cima batem-lhes”. O psicólogo concluiu que os tribunais devem levar em conta “o comportamento das crianças e não só o que elas dizem. Os magistrados têm que ser capazes de captar para além do visível”, sublinhou.
A psicologia forense tem vindo a ter uma relevância crescente no domínio dos serviços da justiça. Por um lado, elabora a avaliação psicológica do criminoso, solicitada pelos tribunais, tentando descobrir as causas das desordens mentais e comportamentais. Por outro lado, presta serviços psicológicos em vários contextos judiciais.
Preconceitos e tabus desmotivam professores
Sobre a sexualidade na adolescência, Paula Peralta, coordenadora do Gabinete de Atendimento aos Jovens da Escola EB 23/S Lima de Freitas em Setúbal, afirmou que “esta população de jovens começa as relações sexuais muito cedo, enverga por uma vida de adulto e, como consequência, tem filhos sem ter dinheiro”. Para Peralta, muitos alunos têm “comportamentos indesejados” porque os pais “não acompanham os filhos em casa e isso reflete-se até na sexualidade”.
A professora salientou que “é a partir dos 11 anos de idade que os adolescentes iniciam a vida sexual”. Se não forem devidamente acompanhados e informados, “corremos o risco que estes jovens contraiam doenças sexualmente transmissíveis e venham a aumentar o número de gravidezes indesejáveis”. Paula Peralta explicou que ainda existe muito “desconforto” e “tabus” por parte das famílias em relação ao sexo e que isso “não motiva muitas vezes os professores a acompanhar os alunos”.
As VI Jornadas de Sexologia foram organizadas pela Faculdade de Psicologia e pela Faculdade de Ciências e Tecnologias da Saúde da Universidade Lusófona.
Nicole Rodrigues Matias


