28/12/2012 - 00:00

Debussy, o “reinventor” da música ocidental

Se fosse vivo, faria 150 anos. Aos académicos e críticos da sua época chamava “imbecis”. Apaixonado por astrologia e cultura oriental, desafiou os cânones da música ocidental. E foi assim que o compositor francês Claude Debussy criou obras como La Mer e Claire de Lune.

A propósito do século e meio sobre o nascimento, em agosto de 1862, de um músico inconformado e auto-crítico, o 5º seminário de História do Património e Ciência da Universidade Lusófona organizou, a 6 de novembro, a conferência Claude Debussy – o Homem, a Obra e o Tempo. Uma iniciativa do grupo “História, Memória e Sociedade” do Departamento de História da Lusófona.

A má relação que o músico tinha com os académicos e críticos da época que intitulava de “imbecis” esteve em foco. O compositor terá tido, como descreve Pedro de Luna, professor de voz, vários conflitos com os seus mestres, entre os quais o compositor belga César Franck. Sem reservas, Debussy assumia o desagrado por autores tão admirados como Beethoven, que considerava “um mundo interior fascinante, mas incapaz de boa música”.

O compositor tentou quebrar os “chavões” criados pelo mundo da música ocidental, sendo crítico da sua própria obra e intitulando-se como criador de algo diferente. Apesar da faceta inconformista, rebelde e por vezes insolente de Debussy, Pedro de Luna destaca o facto de o pianista ter sido “um dos únicos compositores que, em vida, conseguiu uma boa situação financeira”, ao mesmo tempo que ganhou o estatuto de personagem da cultura europeia.

Músico e Cavaleiro Rosa-Cruz?

Claude Debussy interessava-se por astrologia e cultura oriental, em particular pela japonesa e javanesa, tendo inclusive tentado criar “uma escola de música esotérica”, conta Pedro de Luna.  Estes interesses peculiares motivaram muitas histórias sobre as suas filiações em organizações secretas, como o priorado do Sião. Vítor Escudeiro, da Academia Nacional de Belas Artes, considera que esta probabilidade ganhou força devido à ligação de Debussy com outros alegados membros, tal como o pianista e compositor francês Joseph-Maurice Ravel.

Consta até que Claude Debussy terá sido um Cavaleiro Rosa-Cruz, chegando mesmo ao cargo de grão-mestre do Priorado. Mas para Vítor Escudeiro, “não há factos que comprovem a existência do próprio priorado do Sião”.

Quanto à música criada pelo pianista, o tema Claire de Lune foi analisado por Pedro de Luna com a assistência do pianista Pedro Ramos, que as tocou ao vivo para os presentes. A atriz Sofia Aparício também participou na homenagem, declamando poesia.

Diana Tavares
Redação LOC

Lido 5523 vezes Modificado a 22/04/2013 - 11:24

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