14/12/2012 - 14:32

Economia está “exausta e moribunda”

O governo “foi demasiado longe”, afirma Mira Amaral, presidente do Banco BIC e do Conselho Geral do Institutomiraamaralsc Superior de Gestão do Grupo Lusófona. Numa conferência sobre o Orçamento de Estado 2013, a 3 de dezembro, na Universidade Lusófona, o ex-ministro da Economia não poupou nas críticas.

Luís Mira Amaral considera a crise actual “inevitável”, mas não deixa de apontar o dedo aos erros cometidos por Passos Coelho: desde as promessas eleitorais que ficaram por cumprir, ao aumento dos impostos e o agravar das medidas de austeridade. O ex-ministro da economia de Cavaco Silva diz ter compreendido durante uma primeira fase o comportamento do primeiro-ministro, até que, “mês após mês, percebi que era mais do mesmo”.
Sem rodeios, o presidente do Banco BIC afirma que o governo “foi demasiado longe” no aumento do IVA e nos cortes nas pensões, criando “um problema de confiança muito sério” no Estado Social. Com estas e outras medidas semelhantes, explica, abriu “uma caixa de Pandora”. Para além disso, a tentativa falhada de reduzir o défice interno, ao alcançar 6%, contra os 4,5% previstos, levou a uma “classe média esmagada”, uma carga fiscal de 65% nos trabalhadores jovens e uma “economia exausta e moribunda”.  

O PS “devia deixar de se armar aos cucos”

A crise política sempre iminente é também um fator a considerar. Mira Amaral considera que o primeiro-ministro não sabe dialogar com o PS, “e pelos vistos, nem com a coligação consegue entender-se”. Mas o principal partido da oposição também não escapa às críticas. O PS, afirma, “devia deixar de se armar aos cucos” porque “cuidar de um país em cacos… Também não vejo qual é o gozo”.  
Em relação a bons resultados governativos, o ex-ministro destaca apenas “o aumento de exportações”, pois assim “acabámos com o défice externo". Pela primeira vez em décadas “teremos um saldo positivo”.

“Se não tivermos juízo, saímos do euro”

Segundo Mira Amaral, “se não tivermos juízo, saímos do euro, o que é uma solução preguiçosa”. Para o presidente do Banco BIC esta é uma situação a evitar. Abandonar o euro e o mercado europeu poderá piorar ainda mais a crise nacional. E avisa: “no dia em que sairmos do euro, vão aos bancos esvaziar os vossos depósitos”, uma vez que o dinheiro deixará de valer o que vale.
Portugal é dos países mais afetados pela globalização, e sobretudo, pela entrada da Ásia nos mercados. Apesar disso, o banqueiro elogia os êxitos alcançados pelo setor nacional do calçado, dizendo que as empresas mais pequenas chegam mais rapidamente ao mercado que a China e a Itália. E, face a estes concorrentes, já começam a distinguir-se pela qualidade superior. Este é o caminho certo a seguir, pois “Se quisermos o mesmo que os outros, temos de ser tão competitivos como eles”. Para Mira Amaral, continuar a melhorar a imagem de qualidade no exterior tem de ser a aposta da economia portuguesa.

Diana Tavares
Redação LOC

 

Lido 3991 vezes Modificado a 14/12/2012 - 18:43

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