“Será que temos futuro? A crise também gera oportunidades e cria novos desafios para os profissionais”, garantiu João Cannas. O professor da Universidade Lusófona defendeu ainda que os médicos veterinários devem fazer “mais do que uma função” se querem garantir trabalho e “um bom futuro”.

Com a atual crise económica, são várias as áreas que têm sido afetadas. A Medicina Veterinária não é exceção e é cada vez mais necessário elaborar estratégias para angariar clientes. No II Colóquio da Faculdade de Medicina Veterinária da Lusófona, organizado pela associação de estudantes do curso a 14 de abril, João Cannas criticou os médicos veterinários que querem ser “os senhores doutores” uma vez que esse tipo de atitude hoje “não é possível”.
“Vender a imagem e a qualidade dos serviços é fundamental nos tempos que correm”, sublinhou o professor. Acima de tudo, João Cannas acredita que “não é a baixar os preços dos produtos que o panorama se resolve”, mas sim a “intervir em várias áreas”.
Como prevenir infeções nos bovinos?
Uma luta constante ao longo do tempo tem sido combater as infeções dos bovinos. São muitos os criadores que perdem lucros e ficam com prejuízos quando existem casos de doenças nas explorações. Muitas vezes a única solução para este problema passa por abater os animais quando estes já estão contagiados pelo vírus.
Para combater e evitar doenças, “a melhor maneira de preveni-las é utilizar a vacinação”, referiu André Preto, médico veterinário da empresa MSD Saúde Animal. “Impedir que animais infetados entrem nas explorações, elaborar medidas de controlo” e ter cuidado com os “rastreios” dos bovinos, são fatores “fundamentais” para evitar perdas económicas.
O médico veterinário deixou alguns conselhos aos alunos presentes: “está nas nossas mãos sermos uma mais-valia”, pois “somos vistos pelos produtores como um custo e isso não é verdade”. André Preto alertou ainda que “se não houver animais, não são necessários médicos veterinários e isso é muito preocupante” para o futuro da profissão.
Vantagens da informática no meio rural
Com o avanço da tecnologia, os recursos informáticos tornaram-se um hábito na vida de todos. Os criadores que antes registavam os animais em papel fazem-no hoje no computador. E “os produtores que aderiram ao sistema informático, já não querem outra coisa”, diz Manuel Silveira, diretor da empresa Ruralbit.
Fundada em 2006, esta empresa tem por base dar apoio ao meio rural, desenvolvendo “plataformas informáticas de raíz” com o objetivo de as tornar “uma ferramenta útil e de fácil organização” para o trabalho destes profissionais.
“As perdas de registos em papel e a pouca organização na recolha de dados no terreno” agora podem ser compensadas com este tipo de programas. Manuel Silveira explicou que “poupa-se muito tempo” e estes serviços “obrigam os trabalhadores a registar dados importantes como a data de nascimento de uma vaca”, por exemplo.
Nicole Rodrigues Matias

