O que é a Osteopatia? Como atua? Como se complementa com o treino desportivo? A segunda edição das Jornadas Lusófonas de Osteopatia, a 26 de Novembro, procurou dar resposta a estas e outras perguntas sobre uma área da saúde que para muitos ainda é desconhecida.

“A osteopatia é a maior prevenção que pode haver no desporto de alta competição”, garante Carl Todd. O osteopata e especialista na área do desporto considera que identificar o foco da dor e saber de onde ela provém “é o primeiro passo para um bom diagnóstico”.
A osteopatia define-se como uma “ciência de terapêutica global”, de acordo com a página oficial da Federação Portuguesa de Osteopatas. O seu “principal objectivo é restaurar o bom funcionamento do todo orgânico”, ou seja, promover a “harmonia corporal”, explica o organismo que se bate pela regulamentação desta prática em território nacional.
O trabalho do osteopata é preventivo e curativo, promovendo através de movimentos manuais o equilíbrio do sistema músculo-esquelético. Uma postura correta é a chave para o bem-estar do organismo.
Cada caso é um caso
Segundo Carl Todd, os principais fatores de lesão de um desportista provêm de “desequilíbrios nas pernas, postura incorreta e descompensação corporal que provoca uma sobrecarga no corpo”. Para o especialista, cada pessoa tem uma mecânica de movimentos diferentes, “logo cada caso é um caso e tem diferentes abordagens, sendo incorreto um osteopata fazer sempre o mesmo tipo de abordagem”.
Cada vez é mais frequente a presença de osteopatas no desporto de alta competição. Carl Todd já trabalhou com a seleção inglesa e com a equipa londrina do Chelsea de futebol e sublinha a importância de haver um osteopata “para prevenir lesões greves, já que os jogadores estão sempre expostos a grandes cargas físicas e a grandes tensões”.
Devido às exigências da vida desportiva, a prevenção tem um papel fundamental. Hérnias, pubalgias e descompensações são algumas das lesões com que os atletas de alta competição se deparam ao longo das suas carreiras e contra as quais, assegura Carl Todd, podem trabalhar para se protegerem.
Vigiar os treinos dos mais novos
O osteopata denunciou ainda a necessidade de se vigiar o treino dos atletas mais novos. Se for excessivo, “no futuro podem surgir problemas sérios, como disfunções graves, que só com o recurso à operação é que podem ser resolvidos”.
Pedro Asseiceira, da Faculdade de Motricidade Humana, focou a sua intervenção na influência da cadeia cinética no processo de reabilitação. A cadeia cinética é composta pelo sistema miofascial, sistema articular e sistema nervoso. Uma falha num destes sistemas, explicou o professor, vai ter implicações no corpo, causando uma disfunção.
Desequilíbrios musculares, envelhecimento e postura incorreta são, segundo Pedro Asseiceira, disfunções que afetam a qualidade do movimento, o que “vai obrigar o nosso corpo a ter que as compensar sobrecarregando outras partes do corpo, causando assim uma patologia”. O diagnóstico faz-se através da observação dos comportamentos corporais, provocando amplitude de movimentos e verificando a integridade articular.
As segundas Jornadas Lusófonas de Osteopatia foram organizadas pela Federação Portuguesa de Osteopatia em conjunto com a Faculdade de Ciências e Tecnologias da Saúde da Universidade Lusófona.
Tomás Tim-Tim

