06/08/2012 - 14:20

Over & Out 2012: o silêncio ganhou vida

Os melhores trabalhos académicos de Fotografia, Multimédia, Animação, Videojogos e Cinema estiveram na 6.ª edição do Over & Out. Entre 24 e 26 de julho, os alunos do Departamento de Cinema e Multimédia da Lusófona mostraram como deram vida ao tema deste ano: o silêncio.

O Over & Out é um evento que se distingue por não confinar os trabalhos dos alunos à sala de aula. Nas palavras de Manuel José Damásio, diretor do Departamento de Cinema e Multimédia, “é sempre uma oportunidade para os alunos mostrarem aquilo que fazem melhor”.

Uma ocasião, testemunhada por familiares, amigos, alunos e professores, em que se expõe os melhores trabalhos feitos ao longo de um ano. O conceito de silêncio foi, nesta edição, o mote para estimular a imaginação dos alunos, e os resultados agradaram ao público. “Cada um tem a sua linguagem gráfica, gosto muito”, comentava entusiasmada Alexandra Jesus, uma das visitantes.

Gonçalo Galvão Teles, professor de cinema da Lusófona, disse que se há algo que se observa é que os “alunos se empenharam a fundo para tentarem ter um nível de qualidade de apresentação profissional”. O professor lembrou ainda o tempo que os alunos investem nestas criações, tendo em conta que em simultâneo estão a “fazer um curso e, portanto, têm de trabalhar nas aulas”.

Esta exposição é “uma mostra da totalidade do tipo de trabalhos que fazemos”, explicou Manuel José Damásio. E é ainda “eclética” por mostrar trabalhos provenientes de vários níveis de formação. “Tentamos que ela seja representativa de um total criativo”, rematou o diretor.

Uma experiência viciante
“Vicia-te”: era o que se podia ler em setas coladas no chão, à entrada da exposição do Over & Out, que invadiu o Museu da Cidade, de 24 a 26 de Julho. Seguimo-las e conhecemos INAUDITI, um filme com uma lógica de jogo, que pretende proporcionar uma experiência imersiva, “onde as pessoas podem ser a personagem principal e participar interactivamente com a narrativa”, explicou Caetano Amado, um dos jovens autores.

O objetivo é tentar sobreviver num edifício em colapso. “Temos tido uma grande recetividade”, contou Caetano Amado. Uma recetividade que se viu, desde logo, pela fila para experimentar o jogo. “O som está espetacular e a jogabilidade também”, disse Maria Grilo, uma das visitantes.

INAUDITI saiu vitorioso na noite de prémios do Over & Out, tendo arrecadado o prémio para melhor trabalho multimédia.

Noite de glória(s)
Com o auditório cheio, o Centro de Congressos de Lisboa serviu de palco para a projeção e entrega de prémios aos melhores trabalhos, na sessão de encerramento do Over & Out 2012. Lançou-se Quando o silêncio se faz conto, da autoria dos alunos do 1º ano de Cinema, Vídeo e Comunicação Multimédia, e o Catálogo que reúne os melhores trabalhos de fotografia das várias licenciaturas do Departamento.

Mas o entusiasmo aumentou com a chegada dos prémios. A curta-metragem “O Rapaz Que Ouvia Pássaros”, assinada por João Seguro e Inês Rueff, foi distinguida com o prémio de melhor banda-sonora original da autoria dos alunos Pedro Baptista e André Mendes.

O grande prémio Lusófona para melhor curta de animação foi entregue ao projeto “A Lua Dos Bebulcanos”, que arrancou muitas gargalhadas à plateia. Mas não foi o único, nesta mostra foi ainda exibido “Na Cozinha”, uma curta de animação digital de Filipe Fonseca, que conta uma divertida história de amor entre um candeeiro e uma ventoinha.

O filme "A Dança de Sisífo", depois de ter recebido o prémio de melhor curta-metragem na edição 2011 do Over & Out, levou para casa a distinção AIP/KODAK de melhor fotografia.

E se Botto amasse Fernando Pessoa?
O grande Prémio ICA/Lusófona para melhor curta-metragem foi entregue às realizadoras Rita Filipe e Maria Azevedo, com o filme “O Segredo Segundo António Botto”. Uma narrativa que nasce do poema de António Botto em memória a Fernando Pessoa, e que sugere uma reprimida relação de amor entre os poetas.

Foi a partir dos versos de Botto a Pessoa, depois da sua morte, que “surgiu a ideia de que podia ser, não só um poema de amizade, mas muito mais do que isso”, conta-nos Rita Filipe.

Para as realizadoras as expectativas eram “bastante elevadas”, devido ao empenho que a «equipa bottiana» depositou na produção da curta. Mas admitem que a concorrência era forte. “Acho que todos os projetos tinham bastantes possibilidades de ganhar”, sublinhou Maria Azevedo. Para a realizadora, este resultado “é um culminar do esforço de uma equipa inteira”.

Um empenho coletivo ou individual, no caso de alguns projetos, para levar ao Over & Out o melhor de um ano de trabalho. Na próxima edição, “Detesto isto. Diz-me porquê?” são as duas frases que vão desafiar a imaginação dos alunos.

Vera Furtado

Lido 1625 vezes Modificado a 09/08/2012 - 15:33

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