22/08/2012 - 14:52

Um novo rumo para os mais velhos

“O grupo dos idosos não foge à regra daquilo que é a sociedade e da forma como ela está organizada”, defendeu Maria Irene Carvalho no lançamento do seu livro, Envelhecimento e Cuidados Domiciliários em Instituições de Solidariedade.

evelhecimento-mdMaria Irene Carvalho traça uma cartografia da realidade atual dos idosos em Portugal em Envelhecimento e Cuidados Domiciliários em Instituições de Solidariedade, obra que é fruto da sua tese de doutoramento. Lançado a 23 de fevereiro, na Lusófona, o livro analisa as diferenças entre os vários extratos sociais, a falta de critérios de distribuição da riqueza e as técnicas que podem revolucionar a forma de fazer serviço social no nosso país.

O grupo de pessoas com mais idade é muito heterogénico. Dentro desse grupo existem pessoas mais vulneráveis e é dessas que trata o livro”, explicou a investigadora. Maria Irene Carvalho, professora da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH) da Universidade Lusófona, critica a forma como as políticas têm afetado os recursos de que os idosos dispõem.

Luís Capucha, orientador da tese de doutoramento por trás da obra, analisou a situação dos pensionistas em Portugal. “Hoje em dia as transições são muito complicadas na nossa sociedade, o problema da transição da escola para o trabalho, a transição do desemprego para o emprego e a transição da vida ativa para a reforma, são problemas complicados”.

O que dificulta ainda mais estas mudanças é a redução da população ativa nos últimos anos, que, segundo o investigador do ISCTE, afeta a dinâmica de “repartição” vivida no nosso país, pois “as pensões daqueles que estão reformados são pagas por aqueles que trabalham, como aqueles que estão agora reformados pagaram as pensões dos seus pais”.

mario-irene-carv-mdUma solução à vista?
Uma das soluções talvez passe pelo encaminhamento de algumas pessoas, que estejam prestes a deixarem de ser ativas, “para trabalhos a meio tempo”, afirma o antigo Diretor- Geral do Departamento de Estudos, Prospectiva e Planeamento (DPP) do Ministério do Trabalho e da Solidariedade. “Nós quando falamos da idade da reforma”, explica Luís Capucha, “falamos da idade média da reforma e não da idade legal da reforma, e esse é que é o grande problema”.

Para Maria Irene Carvalho, “ainda há um grande caminho a percorrer junto do Estado e das políticas aplicadas aos pensionistas”. As instituições de Solidariedade Social podem com o seu livro “aprender a educar os idosos”, para que estes possam utilizar os recursos necessários e ganhar uma outra autonomia, pois “sem esta aprendizagem a gestão é muito mais complicada”.

Mário Borges

Lido 2056 vezes Modificado a 22/08/2012 - 16:15

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