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14/02/2014 - 14:05

DocNomads: semear os documentários do futuro

O projeto DocNomads é um mestrado internacional centrado no documentário, que resulta da parceria de universidades de Portugal, Hungria e Bélgica. A Lusófona é a parceira nacional envolvida na formação dos documentaristas de amanhã, vindos de todo o mundo.

 


A Universidade Lusófona é uma das três universidades anfitriãs do mestrado internacional DocNomads. Neste projeto participam também a University of Theatre and Film Arts, de Budapeste, e a Universidade LUCA, de Bruxelas. As aulas são em inglês e o curso é de dois anos. A Lusófona acolhe os alunos no primeiro semestre e, no caso de um pequeno grupo, também no quarto.

Victor Candeias, coordenador do mestrado na Universidade Lusófona, descreve o projeto como "curioso". A universidade, revela o professor, entrou a convite da universidade de Budapeste, com quem já tinha projetos em comum. "Estavam muito interessados em criar um mestrado em documentário e encontraram na universidade Lusófona um parceiro lógico".

Para Hoda Siahtiri, estudante iraniana, o início do curso em Lisboa foi muito positivo. "É bom arrancar na Lusófona porque quando deixas a tua casa e vens para outro sítio do qual nada sabes, Lisboa é um bom local para começar, porque tem sol e ajuda a não ficar demasiado deprimida", explica.

Um curso pouco convencional

O plano de estudos junta componentes teórico-práticas com masterclasses e experiências culturais, para que os alunos tenham contacto direto com o que os rodeia. O primeiro semestre na Lusófona inclui uma cadeira sobre cinema português.

"Há uma disciplina muito curiosa" explica Candeias, "chamada 'eventos e visitas', que visa precisamente que os alunos saiam, vão a festivais, e tenham contacto com entidades ligadas ao meio profissional". Os alunos deste ano marcaram presença, por exemplo, no DocLisboa 2013, onde puderam assistir a pitchings e a sessões dos filmes em destaque. A avaliação consiste em vários trabalhos escritos e três curtas-metragens, sobre um lugar ou personagem, o que instiga os alunos a explorarem e encontrarem histórias para contar.

Quanto aos resultados do curso, Victor Candeias considera-os "interessantes". O DocNomads está na segunda edição, mas não tem sido isento de problemas. "Estamos a tentar ser muito rápidos na adaptação às realidades com que nos vamos deparando", diz o professor e realizador, "portanto estou convencido que na próxima edição teremos um modelo estabilizado".

Procura-se talento e mente aberta

O mestrado é aberto a qualquer pessoa licenciada em Cinema ou Media. Cineastas independentes também são aceites, desde que possuam um bom portfolio e conhecimentos sólidos de inglês.

Durante o processo de seleção, os alunos têm de realizar um filme de apresentação em que mostram "o seu mundo", físico ou psicológico, assim como apresentar um certificado de habilitações ou carta de recomendação. O filme é avaliado pelos responsáveis do projeto, professores das três universidades.

A segunda fase é uma entrevista via Skype, em que são avaliadas as capacidades sociais dos candidatos, para perceber se estão aptos a integrar a experiência. Na página oficial do DocNomads, os organizadores explicam que não basta ter capacidades técnicas, mas também mentes abertas, responsabilidade, e atenção ao que os rodeia.

Otilia Babara, vinda da Moldávia, escolheu o mestrado DocNomads porque tem o sonho de ser cineasta. "Era uma oportunidade de descobrir como isto se processa e conhecer pessoas desta área", uma vez que "não há indústria no meu país", explica. "O meu avô também era cineasta e eu queria fazer documentários como ele".

Vantagens do Erasmus Mundus

Para fazer face aos gastos inerentes ao DocNomadas existe um programa de bolsas atribuídas pela Comissão Europeia, uma vez que este mestrado está integrado no programa Erasmus Mundus. Os custos totais previstos do curso rondam os 16 mil euros, o que inclui quatro mil euros de propinas, por semestre.

As bolsas estão divididas em duas categorias, a "A" e a "B", sendo a primeira para alunos de fora da União Europeia (UE) e a última para cidadãos da UE. O bolseiros da categoria A têm direito a 8 mil euros para viagens e alojamento, durante os dois anos, uma mesada de mil euros por mês e dinheiro para os estudos no valor máximo de 16 mil euros.

Os bolseiros da categoria B têm direito a metade do valor, ou seja, 8 mil euros para os gastos inerentes aos estudos, e uma mesada de 500 euros por mês. Para o filme final, as universidades ainda fornecem o equipamento e dão um apoio financeiro até mil euros por estudante.

Para Hoda Siahtiri, a bolsa oferecida para frequentar o mestrado foi um dos fatores decisivos para se inscrever, já que pagar sozinha era "impossível". A jovem cineasta soube do curso através de uma amiga e achou-o perfeito. "Estudar documentário é o que eu quero", afirma, decidida.

Mais estudantes a caminho

Apesar da oportunidade, neste momento já se sabe que os montantes das bolsas podem descer ou aumentar, de acordo com as condições financeiras de cada edição. "Esse valor de investimento", explica Victor Candeias, "é entendido como seed money [dinheiro de semente]. A ideia é sustentar o arranque de um projeto, que depois se torne autossustentável".

No segundo semestre deste ano, a Lusófona vai receber o primeiro grupo de finalistas deste mestrado a quem são entregues os diplomas no Verão. A inscrições para a turma de 2014-2016 já estão fechadas. Se o êxito e as condições do projeto se mantiverem, a turma 2015-2017 abre inscrições no próximo outono.

Diana Tavares
Redação LOC

Lido 5241 vezes Modificado a 13/02/2015 - 17:13

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