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03/02/2014 - 16:22

"Quero continuar a evoluir e a crescer"

Este ano, a Fundação para a Ciência e a Tecnologia reduziu em 40 por cento as bolsas de doutoramento atribuídas. Rodrigo Peixoto, fotógrafo e professor na Lusófona, ganhou uma e ficou em primeiro lugar na área das Ciências da Comunicação. O LOC partiu à descoberta do investigador por trás do projecto que convenceu o júri: "Fotografia e Identidade Cultural".

Lusófona Online Conteúdos (LOC): É professor, fotógrafo e está neste momento a fazer o doutoramento em Ciências da Comunicação. Como é que tem tempo para tudo?

Rodrigo Peixoto: [Risos] O tempo arranja-se sempre para fazemos as coisas. Eu organizo a minha vida de forma a estabelecer prioridades. Normalmente são as exposições que precisam de mais tempo da minha parte para que seja tudo muito bem preparado. Depois, as aulas também ocupam grande parte do meu tempo, de forma mais quotidiana, mas as coisas vão-se sucedendo como na vida normal que todas as pessoas têm.

LOC: Por que é que decidiu fazer o doutoramento?

RP: É uma necessidade extremamente pragmática. Eu nunca pensei fazer um doutoramento quando comecei a estudar fotografia, mas a minha vida foi evoluindo. Depois de começar a dar aulas aqui na Lusófona fiz mestrado e agora estou a fazer o doutoramento também para melhorar as minhas qualificações como professor e aumentar o meu currículo de forma a conseguir perpetuar a minha atividade como professor.

LOC: O projeto de doutoramento que vai trabalhar tem como título "Fotografia e Identidade Cultural". Qual é o objetivo desta investigação?

RP: O meu projeto parte do trabalho de Rocha Peixoto, que foi um etnógrafo da viragem do século XIX para o século XX. Foi fotógrafo, também, e usou pela primeira vez a fotografia como fonte primária de investigação antropológica. O trabalho vai incidir no conhecimento da fotografia, da escrita que ele fez e dos bilhetes-postais da altura que ele também usava, para conseguir compreender até que ponto a utilização da fotografia como meio técnico de eleição da realidade na especificidade de coisas a estudar terá influenciado o estabelecimento de uma identidade cultural das populações. Ou seja, o projeto pretende estabelecer até que ponto a fotografia como meio técnico se tornou preponderante no estabelecimento de uma identidade cultural das populações.

rodrigo peixoto

LOC: Foi-lhe concedida uma bolsa por parte da Fundação para a Ciência e a Tecnologia. Qual é a importância desta bolsa?

RP: A bolsa é muito importante. Porque permite-me ter tempo para fazer uma investigação mais aprofundada e mais exclusiva, algo que seria impossível se tivesse que procurar rendimentos noutros sítios. Desta forma, consigo orientar a minha vida melhor.

 

"Sinto-me contente"

LOC: Só foram atribuídas quatro bolsas a nível nacional na área das ciências da comunicação. O seu projeto ficou em primeiro lugar. Qual é o significado que isto tem?

RP: Para mim não tem nenhum significado em particular. É bom e sinto-me contente, mas a atribuição da bolsa é algo muito circunstancial e depende de vários fatores. Nomeadamente, o facto de o júri ter gostado mais do meu projeto do que dos outros candidatos e do meu currículo. Tenho a certeza que haveria outros bons projetos naquela lista toda, o meu destacou-se por várias razões, mas claro que fico contente.

LOC: É professor na Universidade Lusófona desde 2007/2008. Dar aulas sempre foi um objetivo de vida?

RP: Não foi sempre. A partir de determinada altura senti que era algo que me apetecia fazer e surgiu o convite para vir dar aulas para a Universidade Lusófona e aceitei. Neste momento, sinto-me muito contente por dar aulas e é uma coisa que me apraz fazer.

LOC: Qual é o papel do professor num aluno que quer estudar fotografia?

RP: O professor tem que passar toda a informação técnica e o que é necessário para tirar as fotografias. Mas na minha opinião, sinto que o papel do professor é mais do que esse, e deve conseguir despertar no aluno uma vontade e servir como uma espécie de guia para o conhecimento de matérias que o aluno desconhece, mas que vai passar a saber com a ajuda do professor.

 

"Sejam profissionais e rigorosos "

LOC: Com todas as dificuldades que o país atravessa, neste momento ser fotógrafo não é fácil. Que conselhos dá aos seus alunos?

RP: Que se mantenham perseverantes com aquilo que querem fazer com a fotografia, que sejam profissionais e rigorosos naquilo que fazem, mas acima de tudo, que tenham muita confiança nas suas capacidades.

LOC: Como fotógrafo, o que é que gostava de fazer que ainda não tivesse feito?

RP: Gostava de continuar a trabalhar e que cada novo trabalho que faça seja o melhor trabalho da minha vida. Quero continuar a evoluir e a crescer.

LOC: Como é que vê o futuro?

RP: O futuro vai continuar a perpetuar-se e vão sempre aparecer novos fotógrafos. Espero que a Universidade Lusófona tenha uma palavra a dizer como tem feito até aqui. Quero realçar que houve um aluno que ganhou uma menção honrosa da FNAC sobre novos talentos, e espero que isso continue a acontecer em relação aos novos alunos. Em relação ao futuro da fotografia como disciplina técnica acho que vai perder preponderância, dado que aparecem todos os dias novos dispositivos e o papel do fotógrafo vai ser ainda mais complicado de distinguir.

 

Leia também o perfil do Rodrigo Peixoto.

Tomás Tim-Tim
Redação LOC

Lido 4895 vezes Modificado a 05/02/2014 - 17:09

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