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03/06/2013 - 19:25

Insulina oral: “mais prática para o doente”

Catarina Pinto Reis, investigadora do Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas, está a desenvolver uma nova fórmula de insulina oral usando nanotecnologias. Em Portugal a prevalência da diabetes é de 12,7 por cento, entre os 20 e os 79 anos, segundo os últimos dados do Observatório Nacional da Diabetes, de 2011. Face ao aumento da incidência da doença, Catarina Pinto Reis procura encontrar uma terapia alternativa à versão injetável, mas a chegada ao mercado pode demorar mais de uma década.

 

 

LOC- O que a levou a dedicar-se à diabetes no seu doutoramento?
Catarina Pinto Reis (CPR) - A diabetes é uma doença que afeta milhares de pessoas em todo o mundo e foi por causa da prevalência em Portugal que houve este interesse, muito direcionado para a doença, nomeadamente na procura de terapias alternativas às que já existem.

LOC- Há quanto tempo começou esse estudo e como está a tentar desenvolver esta nova fórmula de insulina?
CPR - Em 2001… 2002, talvez. O trabalho inicial não envolvia nanotecnologias mas sim microtecnologias. Depois, prossegui com este trabalho na área das nanotecnologias, que já existem no mercado e permitem a proteção dos fármacos, nomeadamente reduzir a sua toxidade. Servem ainda para disfarçar sabores desagradáveis e para proteger face à luz, ao tempo e ao oxigénio. Os resultados foram bastante animadores, mas neste momento a formulação encontra-se ainda em estudo. Desde a formulação até chegar ao mercado pode demorar cerca de 15 anos, pois a mesma tem que ser submetida a diversas fases de experimentação.

LOC- Quais as vantagens da insulina oral para um diabético?
CPR - São muitas. Se alterarmos a forma de administração da insulina, através da via oral, conseguimos mimetizar todo o percurso endógeno da própria insulina.

LOC- É assim mais eficaz do que a tradicional insulina injetável?
CPR - Mais prática para o doente e do ponto de vista clínico seria, naturalmente, melhor.

LOC- O número de administrações da insulina e dos testes diários do doente alteram-se com esta fórmula oral ou mantêm-se?
CPR - Vai alterar de certa forma o regime do doente, no entanto, há que esclarecer que mesmo que esta formulação vá para a frente, não acredito que nos próximos tempos se deixe de administrar a insulina rápida, que é imediatamente antes das refeições. Eu acredito que o tipo de formulação que estamos agora a desenvolver poderá ser aplicada para a manutenção dos níveis de insulina basais.

LOC- Isso quer dizer que a insulina oral pode diminuir as probabilidades de hipoglicémia?
CPR - Sim, podíamos ter melhor controlo, porque, de facto, conseguimos chegar ao órgão alvo, o fígado.

LOC- Em 2006, foi distinguida pelo Prémio Inovação BES na área da Saúde com este projeto de investigação. Três anos depois, recebeu o Prémio Bluepharma, da Universidade Coimbra. Que significados têm tido estes reconhecimentos ao longo da investigação?
CPR - Não há nada melhor do que trabalharmos, todos os dias, a toda a hora, e sabermos que o nosso trabalho vai ser reconhecido por alguém. E quando é reconhecido por uma Comissão, ao mais alto nível científico, é reconfortante. É bom saber que somos reconhecidos e que contribuímos, de alguma forma, para o avanço da ciência.

LOC- Esta fórmula de insulina oral já é comercializada noutros países?
CPR - A insulina oral está a ser desenvolvida noutros países como a Índia e os EUA no entanto, a sua comercialização não está para breve.

Cátia Esteves
Diana Constantino
Redação LOC

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Lido 3007 vezes Modificado a 09/09/2014 - 14:49

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