22/03/2012 - 11:27

Adriana: com o vólei no coração

Alfacinha de nascimento, tripeira de alma e torriense no dia-a-dia, Adriana Fernandes tem 13 anos e é uma voleibolista prometedora. Três vezes por semana, se não quatro, treina na Lusófona de olhos postos no futuro e sem descurar os estudos.

"Super" e "excelente" são os dois termos mais usados pela treinadora Mafalda Botelho para caracterizar Adriana Fernandes. “É uma atleta super- responsável, sempre presente nos treinos”, revela. Desde que o ano letivo começou em Setembro, Adriana nunca faltou. Todas as segundas, terças e quintas faz uma hora de viagem de Torres Vedras, onde vive, à Lusófona para treinar. No final do dia, a adolescente morena, quase franzina, de longos cabelos ondulados e castanhos, faz mais uma hora para casa, já acompanhada pela mãe. Quando há treinos agendados, o ritual repete-se aos sábados.

Diz-se que “quem corre por gosto não cansa” e Adriana também não se assusta com a sobrecarga de horários. Apesar dos treinos ao longo da semana, a adolescente está no oitavo ano e não perde uma aula. Não só nunca chumbou como tem nota cinco a quase todas as disciplinas. E isto apesar de ter as suas preferências: “matemática e educação física são as disciplinas que mais gosto”, confessa, “ao contrário de história e geografia”.

Saudades do Norte
Adriana Fernandes nasceu em Lisboa e viveu em Torres Vedras durante a sua meninice. Quanto tinha 11 anos, a mãe aceitou uma proposta de trabalho no Porto e Adriana partiu para a Invicta por dois anos. Regressou já depois do verão do ano passado, mas não esquece a cidade. “No Norte as pessoas são muito mais hospitaleiras e abertas”, assegura. “Não quer dizer que não goste também das pessoas de Lisboa”, apressa-se a explicar, “mas quem lá esteve entende isso”.

O interesse pelo desporto é antigo. Adriana começou por praticar taekwondo, mas o espírito comunicativo abria-lhe o apetite para os jogos em equipa. Foi no Grande Colégio Universal, no Porto, que resolveu experimentar a equipa de voleibol e o fascínio pela modalidade nasceu. Quando a família regressa a Torres Vedras, a treinadora portuense de Adriana aconselha-a a procurar a Lusófona. “Tem umas condições ótimas para jogar voleibol, muito melhores do que no Porto”, reconhece a jovem atleta, embora considere que “esta modalidade no Norte é muito mais desenvolvida e divulgada, em termos de escola”.

O segredo está na concentração
A Faculdade de Educação Física fundou o Projeto Lusófona Voleibol em 2004, dirigido especialmente ao voleibol feminino. Coordenado por João Saudade, conta hoje com 140 atletas, a competir em todos os escalões da federação portuguesa de voleibol.

Adriana é “super-respeitada” pelas colegas de equipa, garante Mafalda Botelho, que a veem “como um exemplo, tanto nos exercícios como nos jogos”. Situação que, admite, também coloca alguma pressão em cima dos ombros da jovem atleta. “Quando a equipa está a perder, esperam sempre que ela faça alguma coisa para solucionar”, confessa.

Habituada às responsabilidades desde cedo, Adriana encara com naturalidade o seu dia-a-dia e aponta a concentração como a chave para conciliar tudo. Gosto muito de estar com os amigos, de ler, ouvir música pop e rock e já pensa no futuro. Qualquer coisa ligada às ciências. Medicina ou desporto. Afinal, sorri com calma e muita maturidade do alto dos seus 13 anos, “a carreira de jogadora de vólei acaba muito cedo”.

Mariana Carvalho

Lido 5877 vezes Modificado a 23/03/2012 - 12:48

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