18/09/2012 - 10:50

Rui Nabeiro: quando o café comanda a vida

Tocou no café pela primeira vez aos 13 anos. Nunca mais largou a torrefação e construiu uma das mais conhecidas marcas portuguesas, a Delta Cafés. A humildade, o gosto pelo trabalho e a solidariedade caracterizam Rui Nabeiro, distinguido com o grau de Doutor Honoris Causa pela Universidade Lusófona.

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Manuel Rui Azinhais Nabeiro nasceu a 28 de Março de 1931 em Campo Maior, no Alentejo. Filho de Manuel dos Santos Nabeiro e de Maria de Jesus Azinhais, é casado com Alice do Carmo Gonçalves Nabeiro e pai de dois filhos. De raízes humildes, o empresário completou a antiga “instrução primária”, (hoje 1º Ciclo), e cedo se iniciou no mundo do trabalho.

A primeira conquista
Depois de começar a ajudar a mãe num estabelecimento, de que esta era proprietária, Rui Nabeiro foi ajudar o tio, Joaquim dos Santos Nabeiro, na torra do café. Tinha 13 anos. O comendador diz que depois de estudar “havia que trabalhar” e consegui-lo era um “privilégio”, porque tal como hoje “arranjar trabalho no interior não era fácil”. Deste primeiro contacto com o café surge uma torrefação, propriedade do pai e dos tios.

Aos 17 anos, Rui Nabeiro enfrenta a morte do pai. Um acontecimento que marcou para sempre a vida do empresário português. Obrigado a substituí-lo na fábrica, o comendador reconhece que foi nessa altura “que começou a perceber que estava a começar a construir o império” que tem hoje. Mas ainda hoje, continua a olhar para si como alguém que simplesmente “representa o pai”.

O grito de independência
“Passos curtos, mas certos”. É esta a filosofia de Rui Nabeiro. Em 1961, afastou-se da sociedade familiar e criou a sua própria empresa, a Manuel Rui Azinhais Nabeiro, Lda. Entre si, a mulher e os dois filhos dividem-se os 100% do capital. Para o comendador esta etapa foi um “passo importante”, porque esteve durante muitos anos sobre “a dependência de familiares” e tinha-se tornado necessário ter “uma vida e um negócio próprios”.

A experiência adquirida durante anos na torra do café, aliada à possibilidade de dar corpo às suas iniciativas, facilitou o crescimento da empresa e pouco tempo depois surgiu a Delta Cafés, umas das mais reconhecidas marcas portuguesas.

Humilde, trabalhador e solidário, Rui Nabeiro faz questão de nunca esquecer o lado humano e social dos negócios, qualidades que são sublinhadas por quem trabalha com ele. “Um Café por Timor”, em 2002, foi uma das iniciativas de responsabilidade social mais mediáticas da empresa – por cada embalagem de Café Delta Timor 250g produzida, 0,25 euros seguiam para o país que acabara de conquistar a independência. A campanha permitiu apoiar a população de Timor Leste e equipar escolas primárias no território. Tornou também a Delta a primeira empresa nacional a conseguir a certificação em Responsabilidade Social.

Em nome do serviço público
Em 1972, o empresário português assumiu a presidência da Câmara Municipal de Campo Maior. Rui Nabeiro explica o porquê da incursão na vida política: “foi uma altura em que era necessário. Eu já tinha algum comércio e alguém se lembrou que eu podia, de facto, começar a substituir os grandes senhores dessa época, e foi isso que aconteceu”. Depois de um interregno, o comendador retomou funções entre 1977 e 1986, eleito pelo Partido Socialista.

Depois de ter consolidado a marca Delta Cafés a nível nacional e internacional, Rui Nabeiro alargou a área de negócios em 1988, criando o Grupo Nabeiro, onde apostou no ramo agrícola e vitivinícola, na distribuição alimentar e de bebidas, no retalho automóvel, no comércio imobiliário e na hotelaria. O empresário justifica estes investimentos como uma “estratégia” para gerar postos de trabalho de forma sustentada.

Lusófona distingue o homem e a obra
O trabalho que desenvolveu ao longo dos anos e a prioridade dada à vertente social ligada à empresarial, levaram a Universidade Lusófona a atribuir a Rui Nabeiro, a 28 de Junho, o grau de Doutoramento Honoris Causa em Ciência Política. O comendador afirmou estar “felicíssimo” com a distinção, porque sendo um homem de “determinadas origens”, fica “emocionado” com este tipo de reconhecimento.

Aos 81 anos, o objetivo de Rui Nabeiro é dar continuidade ao trabalho feito até aqui. O comendador confia que a família vai manter vivo o império que construiu. E aponta como prova dessa certeza os três netos “que estão a trabalhar em pleno, têm condições” e capacidade de “produção de trabalho”.

Tomás Tim-Tim / Joana Pinto

Lido 8418 vezes Modificado a 19/09/2012 - 11:06

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