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03/02/2014 - 14:59

De fotógrafo discreto a investigador

Alto e esguio, prima pela discrição ao ponto de quase passar despercebido. Com ar de miúdo, ninguém dá a Rodrigo Peixoto os 40 anos que se aproximam. Fotógrafo apaixonado, professor rigoroso, doutorando em Ciências da Comunicação premiado com uma bolsa, diz que a "organização é a chave do sucesso".

Professor na Universidade Lusófona desde 2007, a vida de Rodrigo Peixoto dava um filme, com cenários de desporto, geografia até a câmara se centrar na fotografia. Com um currículo profissional rico e diverso, a última proeza conquistada foi o primeiro lugar nas bolsas de doutoramento atribuídas pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), para a área das Ciências da Comunicação.

Mas vamos por partes. Corria o ano de 1974, quando nasceu Rodrigo António Tavarela da Rocha Peixoto. Um ano importante para a história de Portugal, com o fim do Estado Novo, mas também para a futura história da fotografia. Rodrigo Peixoto cresceu em Lisboa e frequentou o ensino público, nas Escolas Secundárias de Carnide e Benfica até ao 12º ano. "Um aluno médio" sublinha, deixando antever que não estávamos perante um prodígio, apesar das grandes capacidades que demonstrava com uma máquina fotográfica na mão.

Do desporto à fotografia

Desengane-se quem pensa que Rodrigo Peixoto é apaixonado pela fotografia desde tenra idade. O fotógrafo começou por estudar desporto no ensino secundário. Mais tarde, na hora de escolher como continuar o percurso académico, optou por geografia, na Faculdade de Letras do Porto. Porquê?

Nem Rodrigo Peixoto sabe. "Há opções que tomamos quando temos 18 anos, que mais tarde não sabemos explicar". Era algo "de que gostava na altura e que achava giro". Dois anos depois desistiu do curso e regressou a Lisboa. Estávamos em 1994.

No mesmo ano, inscreve-se no Ar.Co, em Lisboa, no curso avançado de fotografia. Um ponto de viragem na carreira de Rodrigo Peixoto, que completou a formação em cinco anos. Em 1999 era fotógrafo profissional e o foco estava, agora, em conseguir trabalho.

A vontade ficou adiada quando ganhou uma bolsa da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento para fazer um semestre em Nova Iorque, no Departamento de Fotografia e Arte da School of Visual Arts. De malas e bagagens, muda-se para a "cidade que nunca dorme". Para o fotógrafo foram seis meses "muito importantes" por duas razões. Por um lado, "ganhar uma bolsa tem uma grande repercussão curricular". Por outro, "ganhei muita experiência, fiz muitos contactos importantes e alcancei outro nível de aprendizagem, que era impossível no nosso país".

rodrigo_peixoto

Profissional e bem preparado

Regressado de Nova Iorque, Rodrigo Peixoto entra no mercado de trabalho pela mão de Pedro Cabrita Reis, nome de referência no meio cultural nacional. Começou como assistente do artista, mas rapidamente criou um negócio próprio. Com os contactos que fez e que tinha, lança em 2001 a Resize, uma empresa dedicada à fotografia e ao vídeo, que conta agora 13 anos.

Para o currículo ficam, também, passagens por outras valências dentro da área. Destacam-se por exemplo, a reprodução de obras de arte e documentação de exposições através da fotografia e uma empresa de cartografia onde trabalhou durante três anos. Rodrigo Peixoto sublinha a experiência "que conseguiu com todos os trabalhos que fez e que lhe permitiram ser um bom profissional e bem preparado".

Lecionar "é desafiante"

Em 2007 torna-se professor na Universidade Lusófona a convite de Manuel José Damásio, administrador-adjunto da instituição. Rodrigo Peixoto conta que dar aulas "nem sempre foi um objetivo de vida". O convite surgiu por acaso e foi aceite. Mas cedo percebeu que lecionar "é desafiante". Por outras palavras, "a dificuldade em dar aulas está na capacidade de transformar a informação que temos em matéria comunicável para os alunos". O fotógrafo vai mais longe e realça: "ser professor obriga a melhorar continuamente os conhecimentos e a saber sempre mais".

Inês Gil, diretora da licenciatura de Fotografia da Lusófona, não lhe poupa elogios. Diz que estamos perante "um excelente professor e um excelente fotógrafo", que é "prestável, amigo e de relacionamento fácil".

Aluno do terceiro ano da licenciatura de Fotografia, Bruno Veiga caracteriza Rodrigo Peixoto como "um professor dedicado, mas muito rigoroso". E justifica-o: "é atento ao trabalho e à evolução dos alunos, mas é muito exigente na forma como analisa os desempenhos". Bruno Veiga sublinha, ainda, que tecnicamente "revela-se muito bem preparado e tem uma forma eficaz e atrativa de partilhar o conhecimento com os alunos".

Colega de Bruno Veiga na licenciatura de Fotografia, João Victorino destaca o lado humano do professor. "Tenta ao máximo estar ao lado dos alunos para os ajudar, podemos ligar fora do horário de aulas que está sempre pronto para nos tirar uma dúvida".

"Uma bolsa muito importante"

Rodrigo Peixoto não se desleixa e tem apostado continuamente na formação. Em 2010, concluiu o mestrado em Artes Plásticas, na Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha, e está neste momento a frequentar o doutoramento em Ciências da Comunicação na Universidade Lusófona.

Nesta etapa da carreira, o professor destaca-se também como investigador. Prova disso é o primeiro lugar na atribuição de bolsas de doutoramento para a área das Ciências da Comunicação entregue pela FCT. O projecto "Fotografia e Identidade Cultural", orientado por Victor Flores, tem como objetivo "investigar o papel da fotografia etnográfica e dos postais ilustrados, na difusão da imagem regional a partir do fundo fotográfico Rocha Peixoto", explica.

"Uma bolsa muito importante", é a forma despojada como caracteriza a vitória. No entender de Rodrigo Peixoto, a ajuda financeira vai "permitir fazer uma investigação mais aprofundada e mais exclusiva", algo que não poderia acontecer se tivesse que "procurar rendimentos noutros sítios". O professor não atribui "um significado especial" à bolsa, prefere destacar "o prestígio" que a mesma traz ao currículo profissional.

Já Inês Gil congratula o fotógrafo pela distinção e faz um apelo para "que se investigue mais a fotografia portuguesa". A diretora da licenciatura de Fotografia acrescenta "que o profissionalismo e a credibilidade do curso saem reforçadas".

Sempre à procura do melhor trabalho da vida

Paralelamente à atividade profissional e às aulas, Rodrigo Peixoto alimenta desde 1999 uma paixão: as exposições. O fotógrafo conta com várias no currículo, sendo que a última foi "Potência", em Tomar. Para Rodrigo Peixoto, as exposições "são essenciais na formação de um fotógrafo", porque é a "maneira de conseguirmos expor o nosso trabalho ao público". Expor dá-lhe muito prazer e, por isso, é "algo que quer continuar a fazer". E como se concilia tudo? "A organização é a chave do sucesso", garante.

Quando questionado sobre o que ainda lhe falta conquistar, Rodrigo Peixoto é perentório: "só quero continuar a ter trabalho". O fotógrafo quer "crescer e evoluir" e deseja que cada novo desafio "seja o melhor trabalho da minha vida". Relativamente ao futuro da fotografia, o professor diz "que vão continuar a aparecer novos fotógrafos todos os anos e espera que a Universidade Lusófona tenha uma palavra a dizer neste aspeto".

Leia também a entrevista com Rodrigo Peixoto.

Tomás Tim-Tim
Redação LOC

Lido 5907 vezes Modificado a 25/08/2014 - 13:38

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